Órion, o Novo Pai Celestial de Nova Gênese – Hyppers

Hyppers Alerta: O Texto abaixo contém spoilers de histórias ainda não lançadas no Brasil! Siga por sua própria curiosidade e risco

A primeira edição de “Senhor Milagre”, de Tom King e Mitch Gerards foi um mega soco na cara de tão bacana. A pergunta é: será que a introdução muito boa vai decair nas edições posteriores? Vejamos o que a continuação da história tem a dizer!

Caso não lembrem, logo de cara vemos Scott Free indo para o hospital depois de tentar se matar. Isso causou uma série de revoltas em várias pessoas, mas segundo o próprio Senhor Milagre ele só fez isso para tentar escapar da “morte”, como um truque que mais ninguém conseguiu. A partir daí vemos que Scott começa a ter algumas alucinações, bem como a própria iminência de Darkseid paira pela revista, que parece fazer com que duvidamos da realidade em volta do herói. Por fim, descobrimos que o Pai Celestial, o verdadeiro pai de Scott e líder de Nova Gênese, foi assassinado e que o planeta estava sendo invadido por forças de Apokolips.

E é assim que a segunda edição começa, bem visceral mesmo, com Scott matando Parademônios. É interessante que é tudo mostrado com bastante gore, algo que não é rotineiramente ligado aos personagens divinos do Quarto Mundo… Bem, pelo menos não os fora de Apokolips!

É como se a própria loucura da guerra e sua destruição fosse para o planeta dos Novos Deuses. Scott se torna um General e continua lutando batalha após batalha. É interessante mostrar que ele praticamente sai do seu personagem de escapista fantástico para se tornar mais um guerreiro que luta incansavelmente.

E, novamente, King coloca uma cena que não estamos tão acostumados a ver: as acomodações de Nova Gênese com um Scott e Barda totalmente sujos, tentando descobrir como funcionam os chuveiros de lá. É engraçado eles tentando descobrir isso pois mostra que apesar de serem de lá eles não tem exatamente uma afinidade com o lugar. Além disso, novamente, é aquela coisa de vermos os Novos Deuses todos cobertos de sujeira, algo que não é tão comum de se ver nas HQs.

Achei interessante que até tem uma certa metáfora sobre “estar limpo ou não”, que traçam ali, meio que indicando que se você consegue sobreviver depois de todas as provações do campo de batalha, dá pra dizer que você está “limpo”. Também um belo destaque para o modo como Barda aparece, ao mesmo tempo contrastando seu lado de guerreira com o feminino, que é bem sutil mas é interessante de se ver sendo colocado dessa forma.

Outra coisa interessante é que, com a morte do Pai Celestial, quem assumiu ao comando dos Novos Deuses foi Órion. Claro que isso não deixa Scott nem um pouco feliz. Enquanto todos o tratam como “Pai Celestial”, Scott continua só o chamando de Órion.

Os dois são, de certa forma, irmãos sem serem mesmo irmãos e rivais ao mesmo tempo que aliados. O Senhor Milagre não gosta de ver nem um pouco Órion assumindo a posição de comando do seu povo, bem como ter que se sujeitar a todas as formalidades que isso acarreta, como, por exemplo, ter que chamá-lo por Pai Celestial e se ajoelhar…

Mesmo assim, Órion acaba falando que eles estão sendo derrotados pela vovó Bondade e seus exércitos no outro front de batalha. Dessa forma, ele decidiu que vai jogar o casal contra a Vovó, que os torturou quando eram crianças e foi o que fez eles se tornarem o que são.

Logo depois disso, vemos Metron aparecendo para os dois durante a noite, repetindo algo como “Scott, Você não pode conhecer o rosto de Deus”. Algo um tanto misterioso mas que faz jus a todo o esquema de “alucinação” que esta HQ tenta passar em certas partes!

Então, os dois partem para ir matar a vovó. Novamente, King coloca aqui algo bem interessante, que é a dúvida de Scott em fazer isso realmente. Apesar de sim, ela ter os torturado e feito eles treinarem para se tornarem peões de Darkseid, é o mais próximo de uma mãe que tiveram e Scott fica um pouco hesitante com isso…

Barda e Scott então se encontram com a vovó, que os recebe até que muito bem (Fez até Gelatina), enquanto comenta que o novo Pai Celestial quer acertar logo um acordo de paz com Apokolips.

E é engraçado que apesar da pose de boazinha, a vovó ainda é bem cruel. Enquanto eles comem gelatina (eu não li muito as histórias dos Novos Deuses, isso é para ser um alimento nostálgico? tipo, eles só comiam isso por lá e tal?), ela comenta que está deixando um prisioneiro morrer de fome enquanto olha outros comendo. Ela também menciona uma vez que deixou Barda duas semanas sem água e riu de como ela se desesperava pelo fato… sendo que a heroína só tinha quatro anos de idade na época…

Ou seja, a vovó é alguém bem carinhosa, se para você, carinho é sofrer lavagem cerebral e todo tipo de vilania…

E os dois acabam continuando com o plano de matá-la, de noite, andando sorrateiramente pelo acampamento de Apokolips. Entretanto, a vovó já sabia disso e nocauteia Barda com uma arma.

Isso só dá tempo dela fazer algumas revelações bem bombásticas: a primeira é que Órion a avisou que os dois poderiam ir matá-la e quebrar o acordo de paz (apesar de ter sido ele quem mandou ambos fazerem isso), e que iria os repreender por qualquer atitude assim. Entretanto, o plano era com que ambos fossem mortos pela Vovó Bondade e por Apokolips antes disso.

Mas a Vovó comenta que era amiga de Darkseid, talvez até uma agente infiltrada, e que sabia que ele gostaria que Scott liderasse os Novos Deuses, e não Órion.

Tudo isso revolve com a profecia de que só o filho de Darkseid poderá o matar e, ao longo dos anos, todo mundo achou que era Órion, que é seu filho biológico, mas a vovó acredita que seja Scott, que é o filho adotivo.

Porém, antes de conseguir falar qualquer coisa, Barda, que estava grogue, acaba acertando a cabeça da vovó com a sua maça a matando. Novamente, é algo bem visceral de se ver, algo que não é tão costumeiro de se ter relacionado aos Novos Deuses.

E assim termina mais uma edição que, caramba, realmente é muito impactante! King e Gerards podem estar mesmo no caminho de um clássico que vai perdurar por anos. Eles pegam personagens divinos e os jogam em cima de lama e tripas, mas não é só a mistura de algo nojento que os suja, mas sim a própria insanidade que ataca suas mentes e almas.

A grande sacada é justamente o clima de paranoia que permeia toda a história desde o princípio. Além, é claro, de vários outros problemas mentais. Scott parecia alguém com uma depressão forte o suficiente para tentar se matar na edição anterior, agora ele parece alguém amortecido pelas constantes batalhas que se meteu. Ao mesmo tempo, no final da revista ele tem uma baita reviravolta que pode indicar que a Vovó era sim, cruel com ele, mas que ela fazia isso de uma forma que seria a menos pior possível para um filho do Pai Celestial criado em Apokolips por Darkseid.

Claro que é aquela coisa com a loucura e a paranoia, você nunca sabe o que é real ou o que é imaginário. A história vez ou outra se torna um pouco “consciente” que é uma história e não dá para saber se tudo isso que está acontecendo é uma alucinação de um Scott Free há beira da morte ou se partes de seus eventos são reais e outros imaginários. Porém, ao contrário de histórias em que isso pode acontecer de repente e acabar estragando as coisas por simplesmente ser um “Aha, era tudo um sonho”, esse é o exato ponto que King quer trabalhar aqui: quais são as bordas da realidade e da loucura e se é possível o Senhor Milagre escapar de tudo isso!

Pois bem, ainda faltam muitas edições para completar essa história, mas admito que deve ser a melhor revista da DC no momento!

Escritor, roteirista de quadrinhos, jornalista, cozinheiro, Jogador de Magic e RPG, dentre outras façanhas incríveis e inimagináveis!"Como estou redigindo?"