Crítica: Akira nos cinemas – Hyppers

Semana passada tivemos Akira exibido pela Rede Cinemark numa ação com a Sato Company. Produzido lá na década de 1980, a animação rompeu a barreira de animações infantis, mudando a forma do Ocidente em enxergar as animações produzidas no Japão.

Foi uma época curiosa, em que você poderia encontrar Akira na área infantil de uma locadora, mas que definitivamente você saberia ao levar VHS pra casa que aquela animação o que menos é infantil.

Já o mangá foi lançado no formato americano lá nos anos de 1990 pela Editora Globo. Numa época que a Editora Globo investiu em quadrinhos (e mangás), lançando títulos da DC/Marvel/Image, Akira veio numa edição colorizada pela Marvel Comics.

Atualmente temos o relançamento de Akira pela Editora JBC. Primeira vez que está sendo traduzido direto do idioma japonês, além de ser lançado como é no original, portanto em preto e branco. E assim, acabou se tornando um bom motivo de apreciar Akira nos cinemas, junto com a primeira edição do novo mangá por aqui.

E se passaram quase 30 anos desde que conhecemos o turbilhão chamado Akira. Vire e mexe ouvimos alguma novidade sobre seu remake americano. Mas como é assistir Akira nos cinemas hoje em dia? Vale o ingresso? E é isso que o Hyppers vem aqui responder.

Vale ou não vale a pena?
Primeiramente, a remasterização de Akira é bem diferente das animações da Disney. Se você espera cores vivas e tal, pode se decepcionar, porque a animação da uma sensação que a película foi remasterizada, o que não é ruim, mas está longe de tratamento que a obra realmente merece.

Passado esse baque inicial, a animação tem trilha sonora limpa e ouvir em áudio original em japonês, acaba transmitindo bem mais sentimento do que as dublagens que Akira já recebeu no Brasil. Vale aqui a curiosidade que essa é a primeira vez que assisto em japonês, por ser um aluno de idioma japonês, pensava que a obra tinha uma complexidade maior em seu vocabulário, semelhante a obras como Neon Genesis Evangelion, todavia não foi o caso, o que deu pra aproveitar bem mais a experiência e entender pequenos detalhes na fala dos personagens, que acaba se perdendo na tradução para o nosso idioma.

Akira nesse âmbito é bem similar a Star Wars e a outras obras que redefiniram o cinema. Diversas vezes, enxergamos clichês, porém precisamos relembrar que o foi Akira que os introduziu, como o jogo de luzes das motos de seus personagens.

Outro fato é que a animação japonesa é marcada e datada por estilo de animação, cores e narrativa. Então enxergamos em Akira, muito do que ia ser explorado na década seguinte, além de uma utilização de cores que é bem diferente das obras de hoje em dia. Assumo que principalmente no estilo de animação, bate um pouco de saudade de não ver mais esse estilo nas animações das duas últimas décadas.

Por isso, Akira realmente merece sempre ser revisto, seja em casa ou no cinema. De preferência no cinema, já que é quando podemos curtir e apreciar detalhes que perdemos numa tela de televisão em casa.

A História de Akira
A história de Akira não poderia ser mais atual, ao ver a cidade Neo-Tóquio foi reconstruída após uma terceira guerra mundial. Além disso, políticos corruptos optaram construir ginásio para as Olimpíadas, acreditando que traria um novo boom para cidade e para o país.

Paralelo a isso, descobrimos que existem crianças misteriosas, no qual uma delas numa fuga acaba esbarrando num garoto chamado Tetsuo. O choque fez com que os poderes adormecidos nele se despertam, mobilizando esse programa do governo a reter Tetsuo e controlar esses poderes a base de drogas.

Não bastando, ainda temos a gangue que Tetsuo faz parte e que revela um pouco dessa geração “perdida” no Japão. Rebeldes, transgressores e não ligando pra nada, Kaneda e os outros estão ali querendo resgatar Tetsuo de qualquer maneira.

E assim somos apresentados a uma trama que vai se construído, resgatando a destruição de Tóquio com um caso de um garoto chamado Akira e sua similaridade com Tetsuo.
É uma trama que continua bastante atual e que não ficou datada, o que reforça que vale a pena ser apreciada nos cinemas. Vale salientar que um fato determinante sobre paradeiro de Akira é o que torna o filme e o mangá tão diferentes, porém não muda o desfecho de ambas as obras serem bem semelhantes.

Assumo que gostaria de assistir uma série de TV, ou uma animação na forma de trilogia com a história do mangá. Porém Otomo deu uma entrevista recente que pra ele a animação dele já é a versão de Akira definitiva e que uma adaptação americana está aberta a qualquer reinterpretação, já que é a versão deles e não a do próprio Otomo. Resumindo, ele deu a benção para fazerem o que quiserem baseado na obra dele. (algo bem similar com Toriyama e os criadores de Death Note disseram na época do lançamentos das adaptações americanas).

Podcaster, redator, fã de séries japonesas e coreanas. Já trabalhou na Anime Do, Neo Tokyo, Nintendo World e criou o site JWave.