“Dark Nights Metal” começa com muita “pirulitaria”! – Hyppers

“Dark Nights Metal” começa com muita “pirulitaria”!

Hyppers Alerta: O Texto abaixo contém spoilers de histórias ainda não lançadas no Brasil! Siga por sua própria curiosidade e risco

Tinha um termo que era usado para definir quando alguém estava sendo mais “virtuoso” do que precisava em uma música, apenas para mostrar que era capaz de fazê-lo. Geralmente, a “pirulitaria” é encontrada mais em solos de metal para o guitarrista mostrar que pode tocar mil notas em 10 segundos, mesmo sendo um overkill para o restante da composição.

Foi um pouco disso que senti neste comecinho da nova saga da DC, “Dark Nights: Metal”, escrita por Snyder e desenhada por Greg Capullo. Snyder tenta mostrar como ele é capaz de fazer uma trama cósmica super intrincada e tudo mais, mas ele mais fala à respeito dela do que a mostra de fato!

Isso não quer dizer que a história é ruim per se, mas sim foi uma impressão que eu tive ao lê-la. Vale lembrar que ele já havia lançado DUAS outras edições de prólogo, e esta primeira da saga em si, parece ser MAIS um prólogo para o que virá.

Mas vamos recapitular por um momento o que contam estes prelúdios. Em “Dark Days: The Forge” e “Dark Days: The Casting”, descobrimos que o Batman anda investigando algo muito maior que apenas crimes em Gotham. Na realidade o Morcegão está procurando em várias partes do mundo informações sobre misteriosos metais que conseguem dar poderes para seres humanos normais. Em paralelo a isso, vemos mais sobre Carter Hall, o Gavião Negro que tem ligação com um deles, o Metal Enésimo.

Mais do que isso, estes metais também estão ligados a algo mais sinistro que habita em outra realidade. Eles literalmente ressoam com o multiverso, além de darem poderes para as pessoas. Há algo mais profundo e ainda não explicado neles. Mas foi exatamente isso que permitiu o Coringa se regenerar, por exemplo, e também foi o que deu poderes para o Flash e outros heróis.

A última edição terminou com Batman, Lanterna Verde e Duke Thomas enfrentando o Coringa, que sabe de mais segredos a respeito dessa história, e descobriram uma ligação para este “multiverso sombrio” da DC.

Essa primeira edição começa falando um pouco da pré-história humana, como haviam três grandes tribos, até surgir uma quarta que os dizimou e logo pula para mostrar a Liga da Justiça em uma arena construída por Mongul, guerreando como Gladiadores!

Pois é, meio que começa do nada (acredito que não tenha nem um prelúdio para isso…), com todos da Liga usando armaduras que os enfraquecem a ponto de se tornarem humanos normais. Mongul fez com que o Mestre dos Brinquedos, Hiro Okamura (Que é aliado da LJA), criasse inimigos para combatê-los na arena. São vários robôs batizados de “Fulcum Abominus”, que também tem várias contra medidas para enfrentar os membros da Liga.

Entretanto, apesar de parecer muito difícil enfrentar essa ameaça, ainda mais com os poderes reduzidos, Batman deduziu que o Mestre dos Brinquedos estava, na verdade os ajudando. Depois de decifrar uma mensagem cifrada através do nome dos robôs, a Liga consegue ativar um dispositivo em cada um, que por consequência acaba fazendo os robôs mudarem sua programação e…

Virarem um Megazord da Justiça!

E okay, essa parte é muito legal só pela insanidade da ideia de Snyder. E também, para poder meio que compensar o fato de que o restante da edição não terá tanta ação assim, e mais uma enxurrada de explicação.

A seguir, a Liga da Justiça volta para a Terra, mas logo de cara eles percebem algo muito errado em Gotham: um enorme monte surgiu meio que do nada. Procurando um pouco, eles encontram uma entrada nele, que dá justamente para um laboratório secreto e abandonado.

O lugar é um tanto quanto macabro, mas é interessante notar o que eles acham ali: uma cápsula criogênica com os membros do grupo dos “Desafiadores do Desconhecido”, bem como o Tornado Vermelho, desativado. Mais do que isso, a Liga não se LEMBRA quem eles são, apesar do próprio Tornado já ter participado do grupo por um tempo.

Logo depois, entram os Gaviões Negros, que o Batman já havia se encontrado antes. Com eles, vêm Kendra Saunders, uma das últimas encarnações da Mulher-Gavião.

Ela fala que essa aparição da montanha é apenas um dos primeiros sinais de uma invasão na nossa dimensão, e também que não pode contar nada agora. Ao invés disso, ela leva a Liga para a Ilha dos Gaviões Negros, que ela diz que por conta de certa influência do núcleo metálico da Terra, possui um “escudo” natural que dificulta para encontrá-lo. A mesma coisa com Temiscira e outros lugares assim no UDC!

Lá ela fala que está tudo ligado com o Metal Enésimo, algo que o Batman provavelmente era o único que sabia. Ela conta que ele é capaz de dar poderes para as pessoas e tem uma origem muito misteriosa, além disso, ela também conta que esse metal tem uma ligação multiversal desconhecida por muitos.

Ela continua contando como Carter, usando sua imortalidade/renascimento, foi recrutando pessoas para poder explorar mais sobre os segredos deste metal que conferiu a ele e à Mulher-Gavião seus poderes. Tanto os Gaviões Negros, Desafiadores do Desconhecido, Tornado Vermelho e por aí vai.

Segundo Kendra, Carter tentou traçar uma origem para este Metal dentro do Multiverso (e usou o mapa desenvolvido por Grant Morrison para o Multiverso DC), mas não conseguiu em nenhuma das 52 Terras que existem nele. É aí que ela faz uma sugestão, de algo que eles imaginaram que seria a origem. Ela pega o mapa e o inverte, mostrando a parte de trás toda sombria!

Para Kendra, é bem simples: existe um outro lado do nosso Multiverso. Um negativo, um oposto sombrio e desconhecido até agora. Kendra explica algo sobre muitos pensarem que o universo ser composto de matéria e anti-matéria, algo que foi explorado no desenvolvimento do multiverso DC e também em “Crise nas Infinitas Terras”. Aí ela joga mais informações sobre Matéria Negra, que também compõe boa parte do nosso universo.

Para ela e Carter, o Metal Enésimo conecta o Multiverso DC com esse outro lado, esse “Multiverso das Trevas”, e por isso mesmo que consegue gerar pessoas com poderes. Essa ligação que as transforma em algo diferente.

Além disso, ela também conta que durante as explorações dela e de Carter, que descobriram que há uma besta do outro lado. Alguma criatura de imenso poder e influência que tem domínio sobre este Multiverso Sombrio. Além disso, ela conta que há sempre um arauto que abre a porta para esta entidade e, finalmente, revela que tem uma ligação com Wayne/Batman!

Neste momento os Gaviões tentam prender o Batman, só que isso gera um revolta no Tornado Vermelho que libera suas forças elementais para cima de todos, clamando que eles “abriram o portal”. Nisso o Batman foge em um DINOSSAURO, de mansinho, e volta para Gotham para estudar mais o Metal Enésimo, o qual ele não tinha acesso antes.

Também temos uma página com o Doutor Destino, Homem-Borracha e um Homem Metálico (eu acho), com uma premonição do que viria deste Multiverso das Trevas (que são os Batmans malignos).

Por fim, voltando para a Mansão Wayne, Bruce finalmente analisa o Metal enésimo, enquanto Alfred implora para que ele revele o que está acontecendo para o restante da liga. Entretanto, o Batman prefere ficar na dele, escondendo sua investigação para os “proteger”.

Nisso, ele escuta barulhos vindos de cima da mansão, e, quando vai ver o que é, descobre que é o Diário Perdido de Carter Hall, com muitas informações cruciais sobre este Multiverso Trevoso. Ele havia deixado sob os cuidados dos Wayne, que ele conhecia a muito tempo e confiava. Neste exato momento, temos aquela revelação de que será Sandman que vai contar o restante da história para Batman, e assim se encerra a primeira edição.

Voltando para o lance da “pirulitaria”, o que eu quero enfatizar é que boa parte desta primeira edição é Snyder explicando coisas sobre o seu conceito, o valorizando mais do que a própria história em si. Mas não é um conceito ruim, só a forma que ele esta trabalhando é um pouco morosa, valorizando muito mais as explicações do que os acontecimentos que formam a história.

Exemplificando o que estou dizendo, a coisa mais impactante dessa edição inteira foi a última página onde vemos Sonho aparecer depois de muito tempo fora do UDC. E quando o grande elemento da sua saga é o aparecimento de um personagem clássico, mais do que a própria história em si, acho que talvez tenha algo errado em si. Além disso, já foi dito que Sandman vai oferecer mais explicações para Batman (e talvez o resto da liga). Ou seja, ao invés de viverem as aventuras, parece que a Liga está tendo uma boa parte dela explicadas para eles.

Fazendo uma analogia com videogames, é como se você estivesse passando por um loooooooooooooongo tutorial antes de poder jogar livremente!

Também tem o lance do “Dark Multiverse” ser todo carregado com simbologia do Batman. Já vamos ter uma invasão de um grupo de Batmans do mal, bem como a grande besta É um tipo de “Entidade Morcegal”. O conceito é bacana, que dá até mais uma camada para as inúmeras crises que a DC sofreu (algo como, todas elas aconteceram só no LADO A da fita cassete da DC, o “DM” é o LADO B, muito mais underground), mas se for usado só para glorificar o Batman vai ficar meio limitado, não?

Mesmo assim, vamos esperar que as próximas edições realmente sejam mais “Metal” e não tanto “musiquinha de elevador”!

Escritor, roteirista de quadrinhos, jornalista, cozinheiro, Jogador de Magic e RPG, dentre outras façanhas incríveis e inimagináveis!

“Como estou redigindo?”