Editoras X Scans: Certo ou Errado? – Hyppers

 

Recentemente tivemos dois extremos de scans tirando no ar quadrinhos da Marvel e DC Comics por parte da Panini Comics e outra que retirou mangás a pedido da Editora JBC.

A Editora JBC optou fazer um vídeo explicando a situação dela, que não só ela, mas também editoras japonesas se preocupam com os direitos de suas publicações no Brasil.

Mas existe um vilão da história?

Primeiramente sabemos que Scans é uma forma de trazer conteúdo “gratuitamente”, além de trazer títulos que normalmente não tem apelo comercial no país ou simplesmente edições mais recentes de uma revista que está com “um ano de defasagem”.

Se na primeira, muitos se usam do argumento que senão existe no país, pode se utilizar da mesma, acaba que no segundo não existe muita defesa, porque ai envolve direitos autorais.

Agora, não existe um vilão, porque Scans servem de porta de entrada, gerando uma gama de fãs de uma obra ainda não lançada comercialmente. Temos exemplos, como Naruto, Shokugeki no Souma, One Piece, Boku no Hero, que tiveram seu “boom” muito antes do lançamento oficial no Brasil.

Mesma coisa para Vertigo que ficou alguns bons anos sem uma casa oficial no país, trocando de editora, o que fez que uma lacuna existisse. Hoje, a Vertigo está nas mãos da Panini Comics, mas passou pela Abril, pela Devir, pela Pixel, o que fez algumas coleções terem diversos selos em sua lombada (Preacher é um bom exemplo disso).

De fã para fã

Uma coisa que o editor Cassius Medauar (Editora JBC) comentou em um vídeo recente sobre o caso é que antigamente “existia pelo amor” a relação dos fansubs com títulos que acabavam licenciados pela editora. Era de praxe, o fansub retirar o título para download, incentivando a compra do material original.

E realmente isso não é algo que se limita a comics ou quadrinhos, porque diversas vezes se via acontecer o mesmo com animês.

Fansubs produzem material de porta de entrada, que podem gerar um “boom” comercial depois. Por exemplo o sucesso de séries coreanas em serviços de streaming, como Viki, Drama Fever e Netflix. As séries vieram com fã para fã, porém o mercado viu o nicho e licenciou as séries, acabando oficializando aquele mercado. Além disso, temos uma coisa que não acontece com quadrinhos que são “fansubs” se tornando tradutores oficiais. Acredito que esse seja o maior reconhecimento que alguém que traduz informalmente, acaba tendo. O seu trabalho se tornando a versão oficial do seu país.

Quando a tradução de fã é rebatida com a oficial…

Um problema recorrente por parte das editoras é quando a nomenclatura utilizada pelas editoras acaba destoando ou seguindo um caminho diferente da que fãs utilizaram. Um caso bastante comum é o protagonista de Death Note em que fãs reclamaram quando a tradução oficial utilizou Light Yagami, ao invés de Raito Yagami. Só que Raito é só a pronúncia e a escrita japonesa para Light, portanto a escolha da editora estava correta.

Mas sempre é assim? Nem sempre, porque tivemos o personagem Fay D. Flourite que foi traduzido como Phi no Brasil. Por mais que se desse a explicaçãoo sobre Phi, não muda que até o animê apareceu escrito Fay em inglês, destoando por demais a escolha da editora.

Outra mudança era Violet de Preacher, em que dependendo da editora, acabava sendo traduzido como Violeta ou mantido em inglês.

Mas e o VIP?

Se por um lado, as editoras não “se incomodavam” com fansubs, até porque geravam um público interessado para consumir a obra, quando está fosse lançada aqui, por outro os problemas começaram quando envolveu dinheiro na história.

A editora JBC por meio do editor Cassius Medauar, também explicou sobre isso, em que sites de fãs estavam cobrando VIP para ler material exclusivo ou antes dos demais que liam gratuitamente. E foi a partir desse ponto, no qual dinheiro estava envolvido, que deixa de ser fã para fã, no qual site ganha com isso e acaba prejudicando o mercado oficial de mangás.

Numa opinião pessoal, VIP para sites de tradução de fã, acaba não sendo visto por bons olhos. Por mais que pode existir mil justificativas, como manter servidor, acaba que num trabalho que tem direitos autorais, não se consegue uma defesa muito boa, que justifique isso.

Scans X Digital

Netflix reinventou a roda, quando trouxe de forma oficial, o que a pirataria digital sempre fez. Nasceram diversos serviços, para diferentes nichos, fazendo que a pirataria diminuísse. Logico que nunca será exterminada, porém ela reinventou o mercado, a ponto que hoje ela tem um faturamento maior que o SBT no Brasil.

Agora, quando vamos para os quadrinhos, ai bate aquela tristeza, porque o mercado está engatinhando. Tirando o Social Comics, que está indo muito bem, não temos concorrentes de peso no segmento, tirando a promessa do Henshin Drive! pela Editora JBC.

Se versões digitais de mangá no formato original podem influenciar a mudança do leitor a longo prazo? Logicamente que sim, mas depende da logística que esse serviço tiver, porque dependendo do formato, pode acabar sendo um desastre, e não algo que o mercado realmente espera.

Agora se um serviço desse porte está para ser lançado, talvez em um mercado saudável, seja melhor não ter pirataria de tão fácil acesso. Estamos especulando, o que talvez justifique a preocupação das editoras japonesas em autorizar uma publicação digital do tipo no Brasil.

Mas quem está certo afinal?

Nenhum lado. Queira ou não, Scans acabam servindo de porta de entrada para o conhecimento de várias obras ainda não licenciadas no Brasil, o que seria um erro em tentar mudar isso. E quando a obra sai no Brasil, devemos incentivar o lançamento dela, sendo que as vendas uma comprovação do sucesso dela.

Naruto está sendo republicado pela terceira vez no Brasil, como Cavaleiros do Zodíaco também (e dessa vez em capa dura!). Scans existem dos dois, porém não prejudicaram elas. No caso de Naruto, acabou sendo um bom indicativo para trazer a obra aqui. Já no caso de Cavaleiros, com exceção da obra original, todas as outras obras acabaram ganhando apelo de scans, mas não impediu ou prejudicou o lançamento delas no país.

Um dos problemas aqui é que enquanto o “scans” oferecer material melhor que o oficial, principalmente quando você pensa em digital, eles ainda estão num passo a frente. E iniciativas como Social Comics e Henshin Drive estão tentando mudar isso, se tornando a “netflix” de quadrinhos. Quando isso acontecer, talvez as coisas mudem de figura (no caso da Social Comics é ter material da DC e da Marvel, porque todo o restante eles já tem, enquanto o Henshin Drive precisa nascer pra podermos opinar sobre o assunto).

Preferimos deixar para reflexão o pensamento do Cassius Medauar em que “falta amor” nesse fã para fã. E isso é apenas uma forma de definir a “ética” em tirar uma obra licenciada de sua tradução, quando está for anunciada em seu país.

Podcaster, redator, fã de séries japonesas e coreanas. Já trabalhou na Anime Do, Neo Tokyo, Nintendo World e criou o site JWave.